Em um cenário onde o novo surge a cada instante, eu escolho desenhar o que permanece.
Como designer de mobiliário, entendo que permanência não tem a ver com tempo, mas com relevância. São peças que continuam fazendo sentido mesmo quando as tendências passam, porque nascem de uma intenção clara, de uma construção honesta e de uma leitura consistente do contexto em que serão inseridas.
Hoje, grande parte do mercado ainda opera em ciclos curtos. Produtos são pensados para gerar impacto imediato, responder rapidamente a movimentos estéticos e acompanhar demandas momentâneas. No entanto, esse tipo de abordagem muitas vezes desconsidera algo essencial: a construção de repertório e identidade ao longo do tempo.
No design de mobiliário, projetar para permanecer significa tomar decisões que vão além da forma. É considerar como uma peça se comporta no uso cotidiano, como ela se relaciona com diferentes ambientes e, principalmente, como ela envelhece. Uma peça relevante não depende de novidade constante para existir. Ela precisa sustentar presença.
Isso exige clareza de linguagem onde, forma, proporção, materialidade e estrutura precisam estar alinhadas não apenas entre si, mas também com o território que aquele produto ocupa dentro de uma marca ou coleção. Quando essas decisões são consistentes, o objeto deixa de ser apenas um item isolado e passa a contribuir para a construção de uma narrativa maior.
A responsabilidade no desenvolvimento junto à indústria é um fator essencial. Projetar para permanecer passa por compreender os processos produtivos, respeitar limitações técnicas e propor soluções que sejam viáveis sem perder identidade. É nesse diálogo que o design deixa de ser apenas intenção e se torna realidade.
Eu não desenho móveis para o consumo imediato. Desenho para convivência.
Acredito em um design que envelhece bem, que acompanha o tempo sem perder sentido, que se adapta aos espaços e às pessoas sem se tornar obsoleto. Isso passa por decisões que não são imediatas: proporções equilibradas, escolha consciente de materiais e uma construção que sustenta o uso ao longo dos anos. São peças que não dependem de tendência para existir, mas de consistência para permanecer.
Mais do que objetos, desenvolvo peças que constroem presença, sustentam linguagem e contribuem para a consolidação de uma identidade. Permanecer, para mim, é continuar fazendo sentido ao longo do tempo.

